
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou, por unanimidade, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao pagamento de uma multa de R$ 20 milhões. A decisão, proferida nesta terça-feira (8), faz parte de um processo que apurou fraudes na gestão do fundo imobiliário Brazil Realty. Ao todo, as penalidades aplicadas pela autarquia a sete pessoas e nove empresas somam R$ 201 milhões.
Esquema de sobreavaliação e liquidez artificial
As investigações, iniciadas em 2020, apontaram que o esquema operava por meio da sobreavaliação de ativos imobiliários utilizados na composição do fundo. Segundo a CVM, laudos técnicos foram manipulados para inflar o valor dos bens. Além disso, a autarquia identificou a criação de liquidez artificial no mercado secundário, onde empresas ligadas aos envolvidos realizavam operações para manter os preços das cotas em patamares artificialmente elevados.
Impacto aos investidores e punições
O prejuízo direto aos investidores, que incluíam fundos de previdência de servidores, foi estimado em R$ 5,8 milhões. Entre os condenados, o Banco Master recebeu uma multa de R$ 12,5 milhões. Outros familiares do ex-banqueiro, como Henrique Moura Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, também foram penalizados. As multas individuais variam entre R$ 5 milhões e R$ 24 milhões.
Contestação e próximos passos
A defesa de Daniel Vorcaro negou a existência de provas que liguem o ex-banqueiro a condutas irregulares, sustentando que as operações seguiram as normas de mercado. Apesar da contestação, o colegiado da CVM manteve a decisão unânime. Os condenados ainda podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. O caso corre de forma independente das investigações criminais conduzidas pela Polícia Federal, que resultaram em prisões anteriores do ex-banqueiro, conforme reportado pela Agência Brasil.

