
Uma operação de fiscalização realizada por Auditores-Fiscais do Trabalho, vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT/MTE), resultou no resgate de 11 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma fazenda de piaçava no município de Nazaré, no Recôncavo Baiano. A ação, divulgada nesta quarta-feira (8), revelou um cenário de exploração que perdurava por décadas.
Histórico de exploração e precariedade habitacional
Segundo os dados da fiscalização, alguns dos trabalhadores permaneciam na propriedade há aproximadamente 40 anos. O ciclo de vulnerabilidade era tão profundo que parte deles nasceu, cresceu e formou família dentro da fazenda. As condições de moradia eram degradantes: as famílias viviam em casas de taipa, feitas de barro e madeira, com estruturas deterioradas e risco de desabamento.
A precariedade estendia-se à higiene básica, já que não havia banheiros nas residências. Os trabalhadores utilizavam buracos improvisados, cobertos por lonas, enquanto a água para consumo era coletada diretamente de fontes e riachos da região, sem qualquer tratamento.
Rotina exaustiva e ausência de direitos
A investigação apontou que a jornada de trabalho era marcada pela falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), resultando em ferimentos frequentes causados pelo manuseio de facões e da própria piaçava. Sem registro formal em carteira, os trabalhadores não tinham acesso a direitos básicos como 13º salário, férias ou FGTS.
O sistema de pagamento era baseado exclusivamente na produtividade, o que forçava os trabalhadores a estenderem suas atividades por fins de semana e feriados para garantir uma renda mínima. Além disso, havia uma restrição severa à liberdade econômica, visto que toda a produção deveria ser entregue obrigatoriamente ao empregador, impedindo a venda para outros compradores. Mais informações sobre o caso podem ser acompanhadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Fonte: varelanet.com.br

